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Control Freak

Invasão de privacidade? 5 atualizações de sistema que revoltaram os fãs

Victor Bianchin

20/10/2020 08h00

Montagem (Control Freak) / Flickr (Tim Reckmann – CC BY 2.0) / PlayStation Blog

Quem é dono de PS4 foi agraciado na semana passada com um novo update de sistema que trouxe uma novidade meio incômoda. Segundo a própria Sony, no PS5 os usuários poderão gravar o áudio das próprias parties e depois repassá-los para e empresa com o objetivo de fazer denúncias. Com isso, o pessoal do PS4 recebeu o aviso de que, a partir de agora, poderá ser gravado também se alguém na party estiver usando um PS5.

É óbvio que a novidade causou furor na internet. Afinal, como você já viu no nosso post de defeitos de fabricação, não tem nada mais frustrante do que ser impedido de jogar pela própria empresa que te fez pagar pelo console caro. Aproveitando a deixa, este post explica o ocorrido e relembra outras ocasiões em que atualizações de firmware enraiveceram os consumidores.

1) Sony anuncia que áudios de parties poderão ser gravados e estimula delações

Reprodução / Twitter (@TheRelaxingEnd)

No dia 14 de outubro, o PS4 recebeu sua atualização de sistema 8.00, cujo principal objetivo era alinhar algumas coisas entre o console atual da Sony e o próximo, o PS5, que será lançado em novembro. O update trouxe novos avatares, mais opções de controle parental, verificação em duas etapas e outras novidades. Mas o que chamou atenção foi um aspecto isolado.

Quem instalou o update recebeu uma notificação dizendo o seguinte:

"Queremos que a PlayStation Network seja divertida para todos, e é por isso que temos um Código de Conduta. Por favor esteja ciente de que chats por voz podem ser gravados e enviados para nós por outros usuários. Ao participar em chats de voz, você concorda em ter a voz gravada. Quando comportamentos que violam o Código de Conduta forem reportados, a PlayStation Safety irá revisar as denúncias para averiguar se houve violações genuínas. Essas gravações serão usadas apenas com o propósito de segurança e moderação pela PlayStation Safety."

O negócio voou no ventilador rapidinho. Então quer dizer que agora a Sony quer gravar nossos chats privados (Party Chats)? E quer estimular denúncias em parties privadas que, teoricamente, são compostas apenas por pessoas que se conhecem e são amigas entre si? E o usuário não tem como não aceitar isso? Alô, George Orwell, você precisa escutar essa.

A Sony se apressou a esclarecer que o sistema não irá gravar suas conversas e que apenas os usuários podem fazer isso:

Reprodução (PlayStation Blog)

Adiantou? É claro que não! Reclamações sobre violação de privacidade e intromissão na vida alheia choveram nas redes sociais do PlayStation, ofuscando inclusive o anúncio da nova interface de usuário do PS5. Os fãs fizeram até uma petição online.

O que a Sony fez, então? Anunciou que vai repensar suas atitudes:

Fica a expectativa de que a mudança será revertida ou amenizada. Isso pode significar menos controle por parte da corporação, mas é o que os fãs querem. E, honestamente, quem pode culpá-los?

2) No lançamento, Xbox One não deixava usuários jogarem sem atualizar

Reprodução / YouTube (MrMario2011)

Quando o Xbox One foi lançado em novembro de 2013, ele foi acompanhado de um update de sistema obrigatório. Em qualquer circunstância, você precisava baixá-lo para poder jogar qualquer coisa.

E se você tivesse um disco em mídia física mas sua internet não estivesse boa no dia? Bem, nada feito. Um repórter do Engadget até mesmo levantou essa situação hipotética para o diretor de produtos da Microsoft, Albert Penello, e a resposta foi bem direta: "não dá para fazer nada". Isso porque o sistema operacional que vinha instalado de fábrica no console era uma versão tão desatualizada que ele já não era considerado estável o suficiente para rodar jogos.

Tanto o PS4 como o Wii U tiveram updates de primeiro dia, mas ambos permitiam que o consumidor jogasse suas mídias físicas se não pudesse atualizar o sistema logo de cara.

3) PS3 elimina opção de rodar Linux e fãs processam

Reprodução / YouTube (Bits inside by René Rebe)

Muita gente não lembra disso, mas o PS3 tinha, em seu lançamento, o recurso de permitir a instalação de um sistema operacional dentro dele – o "OtherOS". Essa característica, inclusive, foi tratada como feature e alardeada nas campanhas de marketing do console. Era uma ideia atrativa: comprando um PS3, você teria tanto um console como um PC completo dentro da mesma máquina.

Em abril de 2010, a Sony lançou um update que simplesmente removeu essa opção. A maioria dos usuários não utilizava esse recurso, então não se importou. Mas tinha uma galera que rodava Linux no PlayStation e gostava muito de poder fazer isso.

Um gamer europeu, revoltado com a mudança, chegou até mesmo a solicitar e conseguir um reembolso da Amazon pelo seu console, citando uma lei de proteção ao consumidor chamada Diretiva 1999/44/EC.

A Sony foi alvo de uma ação de classe pela remoção do recurso e o processo se arrastou até 2017. A maioria dos queixantes topou resolver o embróglio por meio de acordos por valores baixos. Em novembro de 2018, apenas dois anos atrás, ainda tinha gente recebendo pelo correio cheque de 10 dólares por causa desse rolo.

Reprodução / GBATemp (@weatMod)

Provavelmente a postagem desses cheques custou mais do que o dinheiro que eles representavam.

4) Switch ganha update que resolve problema básico… 3 anos depois

Reprodução / Flickr (Shinji) /CC BY 2.0

Neste caso específico, o problema não foi o update em si, e sim o quanto ele demorou para chegar.

Conforme muitos compradores de Switch sabem, o espaço interno do console consiste meramente em 32 GB, o que é muito pouco para abrigar jogos comprados digitalmente. Se você quer aproveitar as promoções da loja online, então acaba sendo necessário comprar também um cartão micro SD para expandir esse armazenamento interno.

Pois bem, se esse problema era tão óbvio e se existia desde o dia do lançamento, parece natural assumir que a Nintendo faria todo o possível para auxiliar seus consumidores a manejar esse troca-troca de armazenamento, certo?

Errado. Na verdade, um dos principais problemas do Switch era que era impossível mover arquivos de salvamento entre o HD integrado e os cartões micro SD. Sim, esse recurso básico foi inexistente no Switch por três anos e só foi implementado em abril de 2020.

Três. Anos.

Precisou que chegassem no update de sistema 10.0.0 pra resolverem isso.

5) Update do Switch permite que você guarde seus saves na nuvem, mas os deleta se você parar de pagar

Reprodução (Nintendo.com)

Já que estamos falando do Switch, aqui vai mais uma do adorável-porém-problemático filho caçula da Nintendo.

Em setembro de 2018, o Switch ganhou seu update 6.0.0, que introduzia, entre outras coisas, o Save Cloud Data Backup. Basicamente, era uma opção que permitia que você guardasse os dados (progresso, saves, etc.) de seus jogos na nuvem, o que é muito útil para um console portátil, que pode ser roubado.

Para usar o serviço, no entanto, era preciso pagar uma taxa de US$ 20 por ano. É relativamente pouco dinheiro, mas sempre pode acontecer de você ficar sem ter como pagar. E aí, meu amigo, más notícias: se você abandonasse a sua assinatura, seus saves armazenados na nuvem era deletados. Isso mesmo: au revoir, adiós, arrivederci. Não pagou, dançou.

A repercussão foi tanta que, ainda em setembro, a Nintendo voltou atrás e incluiu em seu FAQ que, caso um usuário deixasse de ser assinante, ele perderia acesso ao serviço, mas seus saves ainda seriam mantidos intactos pelo período de seis meses. Antes, o FAQ só dizia: "não podemos garantir que os dados na nuvem sejam retidos por um longo período após o fim da assinatura".

Reprodução (Nintendo.com)

Ah, e esse é só o começo dos problemas com o Save Cloud Data Backup. Vários jogos do Switch simplesmente não são suportados pelo serviço, como Pokemon Let's Go, Splatoon 2, FIFA 19, NBA 2K19, Dead Cells e Dark Souls Remastered. Por um tempo, Animal Crossing: New Horizons, o jogo que faz você acordar cedo de domingo pra comprar nabo, também foi um deles.

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Sobre o Autor

Victor Bianchin é jornalista, já foi editor da revista Mundo Estranho e escreveu um almanaque de games. Ele tem um Rush de estimação e considera a técnica do button mashing algo subestimado.

Sobre o Blog

Em Control Freak você vai ficar por dentro das curiosidades, bizarrices e polêmicas saudáveis do universo dos games.