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Os 10 defeitos de fabricação que marcaram a história dos consoles

Victor Bianchin

21/09/2020 07h00

Então quer dizer que você viu os anúncios do Xbox Series X e do PlayStation 5 e ficou louquinho para comprar um desses novos consoles no lançamento em novembro?

A pressa é a inimiga da perfeição, já diria aquele ditado (e alguns posts nossos). Comprar console no lançamento tem sua parte boa, mas também significa que você vai pegar a versão menos polida do hardware, com a maioria dos defeitos de fábrica que marcarão a geração.

E, se você confia que "desta vez não vai ter problema", permita que a gente refresque sua memória…

1) O círculo vermelho da morte no Xbox 360

Reprodução / Flickr (yoppy) / CC BY 2.0

Ai, Gabi, só quem viveu sabe. Esse problema clássico acontecia quando uma falha de hardware do Xbox, ou com o sistema de alimentação, fazia com que o círculo luminoso na frente do console piscasse vermelho três vezes. Quando isso acontecia, geralmente o jogo ou a máquina travavam e era preciso começar tudo de novo.

Se fossem apenas alguns casos isolados, tudo bem. Mas os relatos desse problema eram frequentes, generalizados e repetitivos – ao ponto de alguns consumidores simplesmente não conseguirem ter uma sessão se jogo sem problemas. A crise do círculo vermelho foi tomando proporções cada vez maiores e, em 2007, quase dois anos após o lançamento do console, o assunto que mais se relacionava a ele eram suas falhas. A reputação da marca e seu futuro estavam seriamente ameaçados.

A Microsoft, então, decidiu agir. Em julho de 2007, anunciou um novo programa de garantia que se estendia por três anos a partir da data de compra dos consoles (em vez de apenas um, como era originalmente). Os consumidores com aparelhos defeituosos poderiam enviar seus Xbox para a empresa e receber um conserto gratuito ou um aparelho novo. Os custos de envio estavam abarcados e o programa até mesmo incluiu reembolsos para quem já tinha pagado do bolso para reparar seu videogame. Foi uma medida que custou US$ 1,15 bilhão aos cofres da multinacional – mas provavelmente salvou sua divisão de games.

O problema só foi resolvido de vez em 2010, quando a Microsoft lançou uma nova versão do console, o Xbox 360 S, que não apresentava as tais falhas de hardware.

2) O PS2 se recusava a ler (e até arranhava) discos originais

Reprodução / Flickr (Deni Williams) / CC BY 2.0

O primeiro ano do console da Sony foi marcado por relatos de problemas diversos, incluindo superaquecimento. No entanto, nada marcou mais os usuários como a mania do console de simplesmente se recusar a ler discos, mesmo se fossem originais.

Algumas vezes, o console acusava "read disk error". Em outras, eles ficava lendo o CD eternamente. E em outras mais, ele simplesmente pedia para você inserir um disco, sendo que já havia um disco dentro dele. Ah, e o problema também podia ser seletivo: às vezes o console decidia ler apenas os discos do PSOne ou só os de áudio.

Olhar posts de fóruns entre 2000 e 2003, uma época pré-YouTube, e ver as pessoas relatando o problema, desesperadas para achar uma solução é quase um memorial de como evoluíram a tecnologia e o movimento da comunidade para contornar defeitos de fábrica.

E, olha, deixar de ler os discos era só o começo do problema. Havia casos em que o PS2 simplesmente riscava os preciosos CDs da sua coleção. Tempos mais primitivos, com certeza…

3) O infame caso do drift do Joycon do Switch

Reprodução / Flickr (Brett Chalupa) / CC BY 2.0

Então quer dizer que você está loucamente tentando chamar o Raymond pra sua ilha de Animal Crossing e seu personagem fica se mexendo sozinho? Pois bem, seu Switch está sofrendo do famoso problema de "drift" que acompanha o console desde seu lançamento.

Basicamente, o drift acontece quando o controle do Switch, chamado de Joycon, registra comando de movimento mesmo quando ele não existe. Isso faz com que seu personagem se mova sozinho, entre outros problemas causados por input nos botões direcionais.

A Nintendo, que chegou a sofrer uma ação de classe em 2019 nos EUA por causa do problema, só se desculpou pelo caso em junho deste ano numa entrevista, mais de TRÊS anos após o lançamento do Switch.

Para conter danos, no entanto, a medida da empresa foi anunciar reparos gratuitos para os Joycons problemáticos por meio de assistências técnicas autorizadas – que inclusive existem no Brasil, apesar de a Nintendo ter se mandado daqui em 2015. Ah, e eles têm uma página em seu site para você resolver o problema sozinho. Mas sobre resolver as questões de design e arquitetura, que são a raiz do problema, por enquanto nada.

4) Todos os OUTROS problemas do Switch

Reprodução / YouTube (Crowbcat)

O drift do Joycon foi apenas o começo. No lançamento do Switch em 2017, os compradores do primeiro dia logo descobriram problemas graves como: a tela sendo arranhada pelo plástico barato do dock, falta de sincronia dos Joycons se eles não estivessem muito próximos ao console, apitos estranhos sendo emitidos pelo console, bricks, Joycons sem firmeza, diversos glitchs e bugs com a tela e muito mais.

Este vídeo dá uma noção do pesadelo que foi:

Jogamos Breath of The Wild, sim, mas a que custo?

5) O HDMI defeituoso do PlayStation 4

Reprodução / YouTube (picard2005)

Durante os dois ou três primeiros anos de vida do PS4, um dos mais frequentes problemas de hardware dizia respeito à porta HDMI, que simplesmente parava de enviar o sinal para o aparelho de TV, impedindo que o console fosse usado.

Milhares de pessoas em fóruns da internet relataram ter esse problema, e ele até mesmo aconteceu com máquinas enviadas para a imprensa para teste, como foi o caso do Kotaku. Em alguns casos, esse problema também é conhecido pela sigla WLOD (White Light of Death) porque o LED do PS4 fica aceso na cor branca, o que indica que está tudo normal, mas nada aparece na TV.

(Existe um problema similar chamado de BLOD, Blue Light of Death, quando é a luz azul que acende, mas aí o HDMI é apenas uma das muitas causas possíveis.)

A causa do problema aqui é muito simples: as portas HDMI do PS4 são defeituosas de fábrica. Os pinos metálicos que fazem parte delas estão fadados a quebrar ou entortar com o tempo, especialmente com a pressão exercida ao tirar e colocar os cabos.

A Sony nunca se pronunciou oficialmente sobre executar mudanças na produção do PS4 para impedir o problema. Então, se seu console sofrer com isso, você precisa levá-lo a uma assistência técnica ou tentar consertá-lo sozinho seguindo os milhares vídeos do YouTube que tratam do problema.

6) O update que "brickava" o PS3

Divulgação / Sony

Esse aqui não é exatamente um defeito de fábrica, mas, na prática, dá no mesmo.

Para quem não lembra ou não jogava na época, a era PS3 foi quando a Sony resolveu instituir essa política de que, se você não atualizar o sistema do PlayStation a cada novo update, não pode jogar e nem acessar os recursos online. É uma medida antipirataria que continua firme até hoje.

Pois bem, em junho de 2013, a empresa lançou o update de sistema 4.45 para o PS3 e ele gerou problemas para alguns usuários: após a atualização, o console começava a travar na tela de inicialização e não voltava ao normal de jeito nenhum.

A Sony teve que tirar o update do ar e lançar outro logo depois, o 4.46. Quem ficou com o PS3 "brickado" recebeu instruções sobre como instalar o novo update a partir de um drive USB. No entanto, mesmo após o procedimento, muita gente ficou com o console sem funcionar. E aí o jeito foi apelar pra assistência técnica…

7) Lançamento do Wii tinha update que inutilizava o console

Reprodução / Flickr (Enrique Dans) / CC BY 2.0

Esta é parecida com o caso do PS3, com a diferença de que a atualização era fornecida via WiiConnect24 (um recurso do Wii que permitia que ele ficasse online mesmo no modo standby e recebesse updates e mensagens). E foi no dia seguinte ao lançamento do console.

Alguns Wiis se tornaram simplesmente inutilizáveis após o update, apresentando telas de erro. A Nintendo se ofereceu para resolver o problema de duas formas. A primeira era fácil: se você não tivesse nenhum dado armazenado que fizesse questão de manter, ela enviava um novo aparelho para substituir o quebrado.

No entanto, se você quisesse salvar seus dados, era necessário solicitar um "rótulo de envio" para a Nintendo, esperar até 10 dias para esse rótulo chegar, enviar a máquina para eles e esperar até mais 10 dias para tê-la de volta – quase três semanas de espera! E isso sendo que estávamos falando de consumidores que haviam comprado o Wii no dia do lançamento e, portanto, queriam aproveitar o console ao máximo.

E o pior de tudo é que, quando o Wii U foi lançado, seis anos depois, ele teve um problema quase idêntico. Um update liberado no dia de lançamento, com o generoso tamanho de 5 GB, era capaz de brickar o console se o aparelho fosse desligado ou resetado durante o download.

8) A tela piscante do NES

Reprodução / YouTube (ForbiddenPhysics)

Como parte da estratégia para fazer o mercado de games superar o crash de 1983, a Nintendo apostou num produto que pudesse ser vendido como um brinquedo, e foi assim que o NES, lançado no mesmo ano, acabou se tornando um fenômeno.

Outra característica pensada para promover o NES foi seu sistema de alocação dos cartuchos, que imitava o de um videocassete (e você precisa levar em conta que videocassetes eram uma febre nos anos 1980). Você inseria o cartucho e um conjunto de molas o prendia no lugar.

O problema era que essas molas se desgastavam com muita facilidade, fazendo com que os chips dos cartuchos não ficassem alinhados de forma perfeita com os contatos do console. Isso fazia com que a tela do NES piscasse constantemente devido ao mau contato. O vídeo abaixo mostra como era irritante:

Os americanos tinham até um apelido para esse problema – "blinkies" (piscadelas). Hoje, existem vários vídeos no YouTube ensinando como resolver o problema.

9) O PSX e o PS2 eram incompatíveis com uma marca de TV

Reprodução / Flickr (Marco Verch) / CC BY 2.0

E vamos de mais uma da família PlayStation.

As duas primeiras gerações tinham um problema que fazia a imagem ficar pulando quando os consoles eram usados com aparelhos de TV da marca Zenith. Este é um defeito que afetou apenas alguns países, já que essa marca só era vendida na América do Norte, na Alemanha e na Ásia.

O problema não estava nos televisores, e sim nos consoles. Basicamente, o sinal de vídeo que saía dos PlayStations não era totalmente compatível com esses modelos, causando o problema de imagem. Na época, a Sony resolveu a questão trocando gratuitamente os chips de vídeo dos consumidores afetados.

10) O drive óptico do Xbox One e seu costume de mastigar discos

Reprodução / Flickr (Marco Verch) / CC BY 2.0

Este vídeo aqui foi publicado no YouTube no mesmo dia do lançamento do Xbox One, em 22 de novembro de 2013:

Esse delicioso som de um disco que custou R$ 150 sendo mastigado era um defeito de fabricação comum nos primeiros modelos do console. Centenas de pessoas foram afetadas e, após o sucesso do nome Red Ring of Death na geração anterior, decidiram chamar essa falha técnica de Disc Drive of Doom (Drive de Disco da Destruição).

A Microsoft admitiu o problema na época do lançamento, mas disse que ele afetava "um número muito pequeno de consumidores". Para compensar, ofereceu o download gratuito de um game (era possível escolher entre Forza Motorsport 5, Ryse, Zoo Tycoon e Dead Rising) e a troca gratuita do aparelho, com o substituto chegando antes mesmo de você enviar o velho.

Essa reclamação ainda aparece entre usuários de vez em quando, mas diminuiu muito após o lançamento, provavelmente porque o erro foi corrigido nas revisões de hardware subsequentes.

E aí, você viveu algum desses problemas na sua carreira como gamer? Conta pra gente nos comentários!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Sobre o Autor

Victor Bianchin é jornalista, já foi editor da revista Mundo Estranho e escreveu um almanaque de games. Ele tem um Rush de estimação e considera a técnica do button mashing algo subestimado.

Sobre o Blog

Em Control Freak você vai ficar por dentro das curiosidades, bizarrices e polêmicas saudáveis do universo dos games.