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Habbo 2020 vem aí: 6 bizarrices absurdas que não podem ficar de fora

Victor Bianchin

08/10/2019 10h06

Se você não jogou o Habbo original, então você é: 1) velho ou 2) uma pessoa zen e desinteressada em coisas materiais. De qualquer forma, azar o seu, pois perdeu um dos cantinhos mais deliciosos da internet antes de ela implodir com bots russos e pessoas brigando por política.

Nesta segunda, 7 de outubro, as redes sociais do jogo anunciaram o Habbo 2020, uma nova versão do game para substituir a antiga, já que o Chrome e o Firefox deixarão de ter suporte para o Flash, a famosa plataforma multimídia dos anos 90 que está finalmente saindo de cena.

O Habbo, em seu misto de tosquice, inocência e pioneirismo, marcou a vida de muita gente. Esperamos que os recursos abaixo sejam mantidos na nova versão para que novas gerações possam se traumatizar da mesma forma.

Todas as imagens deste post são cortesia do Brazilian Habbo Memes.

1) Tomar ban de 20 anos por roubar coisas de crianças inocentes

No Habbo, os móveis são chamados de mobis. Para consegui-los, é preciso comprar Habbo Moedas com dinheiro real e assim comprar os mobis para decorar seu quarto.

Também é possível trocar itens com os outros. Só que o Habbo permite que você dê um item e receba nada em troca da outra pessoa, desde que a outra pessoa seja tonta o suficiente para topar esse acordo.

Mas por que alguém iria trocar um item por nada? Ora, que bom que você perguntou! O pessoal mais experiente no jogo aplicava um golpe com os usuários novos que era basicamente assim: o golpista achava a vítima em alguma parte do jogo, como uma balada, os dois casavam e o golpista dizia à vítima que queria fazer uma casa para o casal, mas não tinha mobis para usar.

A vítima, que geralmente era uma criança ingênua que tinha acabado de começar a jogar, topava e entregava os itens. Aí o golpista excluía a vítima e pronto, estava aplicado o golpe.

Como o Habbo não tem ban permanente, aplicam-se os bans de 20 anos. Esperamos que a galera banida no Habbo 2020 volte no Habbo 2040.

2) Ter relacionamentos fluidos do Baumann

Se você nunca soube como é um relacionamento no Habbo, permita-nos apresentar o conceito:

CENÁRIO: BALADA

Pessoa 1: Oi
Pessoa 2: Oi
Pessoa 1: Tem namo?
Pessoa 2: Não
Pessoa 1: Quer namo?
Pessoa 2: Sim

Aí os dois se adicionam como amigos, vão para uma sala que simula uma igreja e lá haverá um jogador vestido de padre que irá casar os dois. Depois disso, o casal vai para um orfanato, adota um bebê e está formada a bela família.

Em menos de 10 minutos, mais ou menos, haverá um divórcio, uma traição ou um golpe para roubar os mobis uns dos outros.

3) Bullying e segregação social para quem não tem Habbo Club

O Habbo tem o Habbo Club, que basicamente é um serviço que custava uma mensalidade de Habbo Moedas todo mês. Em troca, você ganha roupas e mobis exclusivos e outras vantagens.

Como o capitalismo é cruel e implacável, o pessoal vestido com as roupas exclusivas do Habbo costuma se juntar numa sala e quem é pobre (ou seja, está vestido com roupas comuns) e OUSAR entrar na sala sofre bullying de geral até vazar.

Um erro muito comum de novas usuárias do gênero feminino era usar o cabelo "bacon", disponível de graça para os avatares mulheres, e entrar nesses quartos.

Usou cabelo bacon na sala dos Clubs, era batata: linchamento virtual até a pessoa se sentir humilhada pelas próximas três gerações. Basicamente o Twitter hoje.

4) Usar asteriscos para fazer sexo

Habbo é um jogo para crianças e que não permite fazer muita coisa: basicamente você pode andar, sentar, conversar e acenar. Obviamente, não há qualquer mecânica que simule romance ou sexo.

PORÉM a necessidade é a mãe da criatividade, e é lógico que esses pré-adolescentes da mão peluda iriam dar um jeito, não é mesmo?

O modo de "transar" no Habbo é colocar asteriscos entre as frases trocadas no chat. Só que, como o jogo censura palavrões e termos obscenos e troca pela palavra "bobba", o diálogo fica mais ou menos assim:

– *eu acaricio sua bobba*
– *eu tiro sua roupa e pego no seu bobba*
– *eu bobba sua bobba e faço bobba*
– *eu bobba muito*

É isso aí, minha senhora, seu filho e sua filha ficaram libertinos assim não por causa das más influências, mas por causa do Habbo Hotel mesmo.

5) Puxar saco de gerentes para ganhar emblema

Emblemas são itens raros e únicos que você pode exibir no seu avatar. Eles são conseguidos de várias formas, sendo que uma delas é vencer promoções. Quem escolhe os vencedores de cada promoção são os "gerentes", pessoas contratadas pela Sulake (fabricante do Habbo) para moderar o jogo.

Possuir muitos emblemas no jogo era o equivalente a ser digital influencer hoje: você entrava num quarto e a galera voava para cima de você. Portanto, eram itens cobiçados.

E o que o pessoal que jogava há mais tempo fazia? Puxava o saco dos gerentes, óbvio! Todo mundo que era experiente no Habbo sabia que as promoções na verdade eram grandes panelinhas e que os ganhadores estavam sempre mancomunados com os gerentes.

Fica a lição para a vida, criançada: competência, empenho e trabalho duro não são nada perto de um bom "quem indicou".

6) Role play de bebê disponível para adoção

Não há sexo no Habbo, então, para ter um filho, os casais precisam ir a orfanatos, que são salas com vários bebês disponíveis para adoção.

Só que os bebês não são apenas NPCs automáticos, e sim outros jogadores que assumem o papel de recém-nascidos, com roupinha e tudo.

O role play é selvagem, com os usuários "bebês" mandando diálogos como se fossem crianças mesmo e todo o cringe que acompanha esse tipo de situação.

7) Cobrar "respeito" como pedágio para entrar num quarto

Essa possibilidade foi meio que eliminada do jogo, mas resolvemos mencioná-la aqui pela nostalgia.

Uma das coisas que você podia dar aos outros jogadores do Habbo era o "respeito", basicamente um recurso invisível que não servia para nada. Mas, como nossa sociedade está moralmente falida, até isso deram um jeito de escrotizar.

Antigamente, se você tentava entrar em um quarto não público, outro usuário poderia ficar na porta e bloquear o caminho. Para que o sujeito liberasse a passagem, você tinha que enviar respeito para ele (era possível "dar" três respeitos para cada pessoa). Basicamente, era um pedágio. Um pedágio que cobrava respeito.

Deu tanto problema que o Habbo adicionou um recurso para que o dono de cada quarto pudesse liberar a opção de "passar por dentro de outros jogadores" se quisesse. Nos quartos públicos, esse recurso estava sempre ativado.

Mas pensando por outro lado, o Habbo estava apenas educando os cidadãos de amanhã a respeito do capitalismo. Se hoje o Seu Juca, antigo Juquinha, não sente vontade de voar na cara dos cobradores quando é obrigado a pagar R$ 27,40 no pedágio para Riacho Grande (SP), é porque o Habbo ensinou que a vida é assim mesmo.

Obrigado, Habbo! Que você continue completamente insano em 2020.

Colaborou Jônata Nogueira.

Sobre o Autor

Victor Bianchin é jornalista, já foi editor da revista Mundo Estranho e escreveu um almanaque de games. Ele tem um Rush de estimação e considera a técnica do button mashing algo subestimado.

Sobre o Blog

Em Control Freak você vai ficar por dentro das curiosidades, bizarrices e polêmicas saudáveis do universo dos games.